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Insights

Due diligence que durava dois meses agora leva um ano. O que isso revela sobre o M&A no Brasil em 2026

23 março 2026 | Blog

Due diligence que durava dois meses agora leva um ano. O que isso revela sobre o M&A no Brasil em 2026

Em 2026, o mercado de M&A no Brasil opera com menos transações, tickets mais altos e processos de due diligence que se alongaram de forma expressiva. Esse é o retrato que a Datasite observa diretamente na operação dos data rooms que suportam as principais transações do país. Foi a partir desse diagnóstico que a Datasite, ao lado da MZ Group, Veirano Advogados e IBEF Minas Gerais, reuniu CFOs e executivos de grandes players em Belo Horizonte para debater M&A, mercado de capitais e o impacto crescente da inteligência artificial sobre as decisões financeiras.

O retrato atual do M&A brasileiro

Durante a apresentação de Antonio Emiliano, diretor da Datasite, ficou claro pelos dados que a Datasite acompanha em tempo real uma transformação estrutural no perfil das transações: 2026 começou com queda relevante no volume de deals de M&A, mas com aumento expressivo no valor médio de cada operação. O mercado não desacelerou, ele ficou mais seletivo. E essa seletividade tem um custo operacional concreto para as empresas que buscam capital.

Ainda segundo ele, processos de due diligence que antes duravam de um a dois meses hoje podem se estender por até um ano. O número de usuários envolvidos na análise documental quadruplicou. Esses não são apenas indicadores de cautela, são sinais de que a régua de exigência dos investidores subiu de patamar. Para as empresas, a consequência direta é: quem não tiver as informações organizadas com rigor antes de iniciar um processo competitivo ou buscar capital, perde tempo, credibilidade e, frequentemente, a transação.

“Os investidores continuam ativos, mas estão muito mais seletivos. Hoje as transações são maiores, ocorrem em menor volume e passam por diligências muito mais longas. Para acessar capital, as empresas precisam estar muito mais estruturadas.” – destacou Antonio Emiliano.

Minas Gerais em destaque no mercado de capitais

Minas Gerais ocupa hoje a terceira posição no país em número de companhias listadas  uma posição que muitas vezes passa despercebida nos debates sobre mercado de capitais concentrados no eixo Rio-São Paulo. O evento em BH foi uma escolha deliberada: o ecossistema mineiro tem substância e merece ser tratado como interlocutor estratégico, não como mercado secundário.

O sócio da Veirano Advogados, Julio Queiroz, ressaltou que Minas Gerais tem demonstrado resiliência e potencial de crescimento em meio às incertezas nacionais. Para ele, esse é um dos fatores que motivaram a expansão recente do escritório no estado.

A inteligência artificial como agente transformador

PH Zabinsky, CEO da MZ, conduziu a palestra principal da noite com uma tese direta: a inteligência artificial já alterou o modo como decisões financeiras são tomadas e quem ainda trata o tema como tendência futura está operando com atraso. Zabinsky apresentou casos concretos de uso da IA no relacionamento com investidores: transcrição e análise de reuniões de earnings, identificação de pontos de atenção no discurso de executivos, personalização de comunicações institucionais e geração de avatares para interações em múltiplos idiomas.

Empresas globais estão investindo centenas de bilhões de dólares em IA, e a transformação já alcança funções que pareciam imunes à automação: análise de sell-side, atendimento ao investidor, modelos de precificação. A questão para os executivos na sala não era mais “se” a IA chegaria às suas áreas, mas com que velocidade e se estariam preparados para capturar a vantagem antes dos concorrentes.

“A inteligência artificial já redefine como decisões financeiras são tomadas. Quem não integrar IA aos processos, modelos de negócio e relacionamento com investidores ficará para trás em um mercado que muda cada vez mais rápido”, reforçou PH Zabinsky.

Movimento é o novo padrão

O caso Nokia foi o espelho escolhido para encerrar a noite: uma empresa que não errou por incompetência, mas por imobilidade. Fez tudo certo dentro do modelo que conhecia e perdeu para quem estava disposto a redefinir o modelo. A mensagem não era sobre tecnologia. Era sobre a diferença entre estar correto e estar em movimento.

“Não basta estar certo, é preciso estar em movimento. Empresas e profissionais que permanecem estáticos, mesmo fazendo tudo certo, já começam a perder espaço em um mundo que se transforma em velocidade acelerada.”

Um encontro marcado por troca e visão de futuro

Com a participação de representantes da MZ Group, Datasite, Veirano e IBEF Minas Gerais, o evento reuniu executivos de diversas empresas mineiras e se consolidou como um espaço importante para discutir inovação, competitividade e os caminhos do mercado de capitais.

O que ficou da noite não foi um consenso tranquilizador. Foi uma pergunta incômoda, do tipo que bons eventos deixam: sua empresa estaria pronta para abrir um data room amanhã e sobreviver a um ano de due diligence com investidores quatro vezes mais exigentes do que há três anos? Se a resposta hesitar, o trabalho começa agora.

Saiba mais sobre como a Datasite pode transformar sua próxima transação.