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O ano dos deals de alto impacto
20 agosto 2025 (Ultima atualização 29 setembro 2025) | Blog
O ano dos deals de alto impacto
Às vezes, o mercado de M&A adota uma abordagem dispersa: muitos alvos, confiando na força dos números. E, em outras ocasiões, como agora, concentra seu foco em poucos negócios cruciais com potencial para redefinir o futuro. É isso que o relatório Deal Drivers: Americas HY 2025, produzido pela Datasite em parceria com a Mergermarket, mostra com clareza.
À medida que o mercado das Américas entra no segundo semestre do ano, o valor total das transações continua subindo, mesmo com a queda no volume. Os dealmakers estão ajustando suas estratégias, dobrando suas apostas em oportunidades transformadoras, investindo em infraestrutura habilitada por IA e realizando movimentos ousados nos setores de energia, consumo e serviços financeiros.
Vamos focar nos três principais temas por trás dessa tendência.
1. O impacto está na escala
Menos volume, mais risco: essa é a narrativa de 2025. O número de transações nas Américas caiu 17,7% em relação ao ano anterior, totalizando 6.217 deals. No entanto, o valor total subiu mais de 17%, atingindo quase US$ 1,2 trilhão. O foco agora está, de forma clara, em aquisições seletivas, de alta confiança e com impacto estratégico.
O private equity segue a mesma linha. As atividades de buyout caíram 17,9%, mas o valor total disparou 38,7%, chegando a US$ 318 bilhões. Os fundos não estão recuando, mas estão escolhendo com muito mais critério. Os grandes patrocinadores com capital disponível estão mirando aquisições de plataformas e empresas com potencial de escala e retorno transformador. Exemplos emblemáticos incluem a aquisição da Walgreens Boots Alliance pela Sycamore Partners (US$ 23,7 bilhões) e a compra recorde da Skechers pela 3G Capital (US$ 11,3 bilhões).
A combinação de um número menor de alvos com valores crescentes revela a divisão em duas frentes do mercado atual de M&A. No segmento de alto valor, os diferenciais são paciência, precisão e capacidade de agir rápido, e com firmeza, diante da oportunidade certa.

2. A nova onda da tecnologia inteligente
É fácil assumir a dominância contínua do setor TMT como garantida, mas os dados mostram um cenário mais complexo. Embora tecnologia tenha liderado em volume e valor nas Américas (US$ 403,7 bilhões em 1.705 transações), esse desempenho veio principalmente de megadeals.
O maior destaque foi a rodada de financiamento da OpenAI, de US$ 40 bilhões, liderada pela SoftBank, que estabeleceu um valuation de US$ 300 bilhões. Outras movimentações importantes incluem a aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões pela Alphabet/Google e o investimento de US$ 14,3 bilhões da Meta na Scale AI.
Ainda assim, os volumes estão se estabilizando, e até caindo em algumas regiões. O foco deixou de ser apenas “nova tecnologia” e passou a ser “a tecnologia certa”. À medida que a economia impulsionada por IA se aproxima, os ativos mais valorizados são aqueles com vantagens em cibersegurança, nuvem escalável e dados em tempo real. Em resumo: a definição de um ativo tecnológico essencial está sendo refinada.

3. O apoio estrutural é indispensável
Assim como toda estrela do rock precisa de sua banda como apoio, a revolução da IA depende da atividade em outros setores. A enorme demanda energética da tecnologia de IA exige infraestrutura robusta, e isso impulsionou transações em energia, mineração e serviços públicos (US$ 170,5 bilhões em 383 deals). Destacam-se a aquisição de ativos de gás pela NRG Energy (US$ 12,5 bilhões) e a compra do Colonial Pipeline pela Brookfield (US$ 9 bilhões). O Canadá mais do que triplicou o valor transacionado no setor EMU em comparação ao ano anterior.
Enquanto isso, o private equity está apostando forte no setor de consumo, com o maior crescimento percentual de valor entre todos os setores (alta de 62,7%, para US$ 76,4 bilhões, mesmo com queda de 22,1% no volume). A aposta está em marcas maduras, reconhecidas, mas com potencial de melhoria operacional. Walgreens (Sycamore), Skechers (3G) e Parkland (Sunoco, por US$ 10,2 bilhões) seguem a tendência de grandes apostas com alta convicção.
Já em serviços financeiros, embora tenha havido uma leve queda no volume (645 transações, US$ 108,2 bilhões), o setor segue aquecido. O cenário atual é marcado por uma dinâmica interessante entre fintechs, serviços de hipotecas e distribuição de seguros. Fundos soberanos também estão se movimentando, com destaque para o investimento de US$ 15 bilhões da Mubadala Capital (Emirados Árabes Unidos) na TWG Global, uma movimentação que está chamando a atenção do mercado. Escala, resiliência e capacitação tecnológica são hoje as principais prioridades nas operações de M&A envolvendo ativos financeiros.
Precisão é tudo
Em 2025, não se trata apenas da “arte do negócio”, mas da “arte do negócio certo”. Ter um pipeline lotado importa menos do que mirar com precisão os alvos corretos. Em um mercado ainda cercado de incertezas, a confiança se tornou o fator decisivo.
O primeiro semestre de 2025 mostra que os players mais inteligentes são aqueles que conseguem identificar os ativos de destaque com mais agilidade e agir com decisão. Setores de alto risco como TMT e biotecnologia continuam evoluindo, enquanto consumo e infraestrutura assumem o protagonismo defensivo. Com cada vez mais capital sendo alocado em um número cada vez menor de transações, o mercado atual recompensa a especialização, o timing preciso e uma execução com firmeza.
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