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Insights

TTR LATAM – Relatório Q1 2026

29 abril 2026 | Relatório

TTR LATAM – Relatório Q1 2026

1Q 2026: Menos deals, porém mais capital. Brasil no centro da tese e Peru crescendo nos números

O TTR Quarterly Report do primeiro trimestre de 2026 traduz de forma clara o momento do mercado. Foram USD 27 bilhões em valor agregado, um crescimento de 87% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o número de transações somou 482, representando uma queda de 36%. A dinâmica já vinha se formando desde o início do ano e, ao final do trimestre, se confirmou como a principal característica do período.

O Brasil não é o maior em volume, mas segue o mais relevante em tese.

No primeiro trimestre, foram 256 transações, contra 452 no mesmo período do ano anterior, uma queda de 43% em volume. Ainda assim, o valor agregado alcançou USD 17,8 bilhões, um crescimento expressivo de 114%. Nenhum outro mercado da região combina essa escala financeira com esse nível de confiança dos investidores.

O deal mais expressivo do trimestre ocorreu no Brasil e teve impacto estrutural em um setor historicamente complexo: saúde suplementar. Tratou-se de uma aquisição de grande porte, superior a USD 6 bilhões, que reconfigura o desenho competitivo do setor. Não foi um movimento oportunista, mas uma decisão clara de construção de plataforma em um segmento caracterizado por alta complexidade regulatória, integração operacional difícil e retorno de longo prazo. Esse tipo de transação revela maturidade estratégica e visão de controle de ecossistema.

Na sequência, destacou-se uma operação ligada a minerais críticos e à cadeia industrial da eletrificação, envolvendo a entrada de capital estrangeiro em um ativo estratégico. O movimento combina três vetores relevantes: acesso a minério essencial para a transição energética, interesse crescente de investidores asiáticos e a importância do Brasil como fornecedor-chave para cadeias globais de energia e infraestrutura. Mais do que uma simples transação, o negócio reflete uma reavaliação profunda de alocação de capital por parte de grandes grupos industriais, priorizando foco estratégico e eficiência no ciclo atual.

Esse conjunto de movimentos confirma que o Brasil permanece protagonista nas teses de transição energética, infraestrutura industrial e minerais críticos, áreas em que o apetite global segue elevado e com alto grau de convicção. Em um trimestre marcado por menos operações, o país concentrou algumas das decisões mais estruturais da região, reforçando seu papel central no redesenho das cadeias estratégicas nas Américas.

O deal do trimestre tem a energia como eixo central e diz muito sobre o que está por vir.

A transação de destaque envolveu a aquisição integral de uma fabricante de equipamentos críticos para infraestrutura elétrica, em uma operação superior a USD 5 bilhões, uma das maiores do setor industrial registradas na América Latina nos últimos anos. O ativo adquirido atua na produção de transformadores elétricos, componentes essenciais para a expansão das redes de transmissão, para o avanço de data centers e para a sustentação da transição energética. Trata‑se de um segmento no centro das decisões estratégicas globais relacionadas a eletrificação, segurança energética e crescimento estrutural.

O comprador pagou um múltiplo elevado e conduziu o processo com velocidade. Do ponto de vista de execução, foi uma operação complexa, envolvendo múltiplas jurisdições, assessores financeiros e equipes jurídicas especializadas. Negócios desse porte não toleram ruído operacional. Exigem diligência profunda, gestão documental rigorosa e coordenação precisa, em um ambiente de pressão por tempo e controle de risco. O valor pago reflete não apenas o ativo em si, mas a convicção na tese de longo prazo que ele representa.

Menos transações, mais complexidade por operação

No que tange à Private Equity, o valor agregado cresceu 264% frente ao 1Q25, com apenas 38 deals. Em Venture Capital, o número de transações se manteve relevante, com valor estável, mas chamou atenção a taxa de conclusão dos negócios, próxima de 100%, o que indica um pipeline mais maduro e maior disciplina na execução.

Asset Acquisition também registrou alta de 113% em valor, com Real Estate, Oil & Gas e Energia Renovável liderando os subsistemas mais ativos. O capital está sendo direcionado a ativos tangíveis, com lastro operacional e relevância estratégica clara, em detrimento de movimentos oportunistas de curto prazo.

LATAM além do Brasil: para onde o capital começa a olhar

O Peru registrou crescimento de 856% no valor agregado, impulsionado por uma grande aquisição no setor de energia elétrica, envolvendo capital estrangeiro e ativos andinos. A lógica é a mesma observada no Brasil: infraestrutura, geração e distribuição de energia como peças-chave para crescimento e estabilidade regional.

A Colômbia também ganhou espaço no mapa: USD 5,3 bilhões em valor, alta de 189%, sustentado por transações relevantes nos setores financeiro, telecomunicações e cimento. O Chile manteve volume positivo, único país da região com crescimento em número de transações no trimestre, mantendo um ambiente ativo e consistente. A Argentina segue em recuperação gradual, foram 57 transações e valor crescendo 39%, com Oil & Gas na liderança do setor, acompanhando uma agenda econômica mais pró‑mercado, ainda que com cautela por parte dos investidores.

O que os dados indicam

Quando o valor sobe 87% e o volume cai 36%, a mensagem implícita é clara: os compradores estão escolhendo com mais critério e pagando mais quando escolhem. Nesse ambiente, o diferencial competitivo deixa de ser apenas a tese e passa a ser também a qualidade do processo.

Due diligence mais profunda. Documentação mais densa. Múltiplas jurisdições. Compradores globais com padrão de exigência internacional. Qualquer gap de informação, um contrato desorganizado, um data room incompleto, um documento em idioma sem tradução viram atraso, desconto ou deal morto.

O mercado de M&A na América Latina em 2026 não sofre com escassez de capital. O que existe é uma tolerância cada vez menor a processos mal estruturados.

Leia o relatório completo do TTR 1Q 2026 e veja onde o capital está sendo alocado na região.

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