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O M&A no Setor de Saúde Ainda Está Saudável?
27 junho 2025 (Ultima atualização 05 dezembro 2025) | Blog
O M&A no Setor de Saúde Ainda Está Saudável?
Os painelistas do webinar de M&A em saúde da Datasite, realizado no ano passado, estavam otimistas quanto ao aumento da atividade de negócios em 2025. Na metade do ano, esse otimismo parece bem fundamentado, com crescimento tanto no volume quanto na conclusão dos negócios.
Mas essa tendência vai continuar ou os mercados turbulentos dos últimos meses criaram obstáculos para um crescimento adicional? E, de forma crucial, como os primeiros meses agitados da presidência de Trump moldaram o mercado?
Seis meses após o último webinar de saúde, nossos painelistas se reuniram novamente em junho de 2025 para avaliar o cenário atual de M&A e as perspectivas futuras.
Um início saudável para 2025
A atividade de negócios no setor de saúde aumentou no primeiro semestre de 2025, com um crescimento de 2% nos lançamentos globais de transações e estabilidade nas taxas de conclusão, segundo Abby Roberts, Diretora Sênior da Datasite Insights. Na América do Norte, os kick offs também aumentaram 2%, mas o destaque foi o aumento de quatro pontos percentuais nas conclusões de negócios.
Contudo, os prazos se estenderam: em média, os negócios levaram 22 dias a mais do que no mesmo período de 2024.
O crescimento também foi mais concentrado nos três primeiros meses do ano, com sinais de desaceleração no segundo trimestre. Os painelistas concordaram que essa desaceleração se deve à incerteza do mercado.
O ponto de inflexão foi identificado como o “Liberation Day” de Trump, quando ele anunciou tarifas generalizadas sobre importações em todos os setores e na maioria dos países.
“Os mercados estavam otimistas após a eleição”, disse Jay Liebowitz, Managing Director da Centerstone Capital. “Mas o que aconteceu no Liberation Day confundiu o mercado e fez todos reavaliarem.
Tony Crisman, Managing Director and Head of Healthcare no banco de investimentos Stout, concordou que a incerteza teve impacto, mas afirmou que ativos de maior qualidade continuam sendo comercializados com altas avaliações, semelhantes aos níveis máximos de 2021-22.
Uma enquete com a audiência do webinar revelou que 47% consideram as tarifas o maior obstáculo para M&A em saúde, seguidas de perto pela incerteza política mais ampla. Os painelistas observaram que, embora as tarifas afetem cadeias de suprimentos em equipamentos e farmacêuticos, o setor de saúde, por ser predominantemente doméstico, é menos impactado.

Na prática, cortes no Medicaid, previstos após a aprovação do projeto “Big Beautiful Bill” da administração Trump, podem ter impacto ainda maior. Possíveis alterações nos sistemas de reembolso podem afetar a atratividade de alguns negócios.
Christopher Olson, sócio do escritório de advocacia McDermott Will & Emery, afirmou: “Cortes ou requisitos adicionais no Medicaid e sistemas complexos de verificação podem gerar desafios administrativos”. Segundo ele, empresas dependentes de reembolsos do Medicaid estão se tornando menos atraentes: “Estamos vendo compradores se afastando dessas áreas devido à incerteza”.
Fechando bons negócios
Crisman destacou que os melhores ativos continuam atraindo grande interesse no início de 2025, principalmente por sua escassez e menor exposição ao Medicaid ou riscos regulatórios.
Ele recomendou que vendedores avaliem cuidadosamente as manifestações de interesse de compradores, considerando não apenas quem oferece o melhor preço, mas quem tem capacidade estratégica e operacional para concluir a transação com sucesso.
“Você quer um comprador com convicção e capacidade real de fechar o negócio”, disse.
“Também é essencial ter tudo organizado”, completou Olson. “O processo de diligência sempre será desconfortável, com compradores analisando anos de documentos. Ter tudo pronto faz muita diferença.”
Essa preparação inclui, segundo Olson, ter uma compreensão clara dos fatores regulatórios e de políticas públicas que podem impactar o ativo. Ele destacou que as tendências legislativas em nível estadual são especialmente relevantes para moldar o fluxo de transações no futuro.
“Alguns estados exigem aprovação antes que uma transação possa ser concluída [no setor de saúde] e podem impor condições após o fechamento. Outros exigem apenas notificação”, afirmou.
Um fator crucial pode ser a exigência, em determinados estados, de divulgar a identidade dos proprietários controladores em uma aquisição no setor de saúde, o que pode representar um desafio para alguns investidores de private equity. Essas exigências, já em vigor em vários estados, tendem a ser adotadas de forma mais ampla, segundo Olson. Antecipar-se e preparar-se para essas barreiras desde o início é essencial para evitar que as negociações sejam prejudicadas por atrasos ou custos inesperados mais adiante no processo.
Subsetores promissores
A saúde digital foi apontada como o principal setor em ascensão por 45% da audiência do webinar, seguida pela saúde baseada em valor (24%).

Os painelistas também destacaram a evolução de outros subsetores impulsionados por tecnologia.
Liebowitz ressaltou oportunidades nos cuidados da saúde voltada ao consumidor, como spas médicos e empresas focadas em longevidade. Alguns desses modelos são impulsionados por tecnologia digital, mas também se destacam por seus modelos de negócio. “O que une esses modelos é que são baseados em pagamento direto e assinatura”, explicou.
Crisman acrescentou que a evolução do modelo de cuidados baseados em valor depende da tecnologia que o sustenta. “As estratégias em torno dos cuidados baseados em valor, mais do que a atuação direta neles, provavelmente são mais atrativas para investimento”, afirmou, argumentando que tecnologias de apoio como a telessaúde ou outros serviços habilitados por tecnologia ou IA são, de fato, o fator decisivo.
A incerteza não precisa ser obstáculo
Como palavra final a respeito do mercado de M&A em saúde, Olson destacou que empresas adaptáveis estarão melhor posicionadas para o sucesso: “As empresas que conseguem se adaptar estarão melhor posicionadas para o sucesso a longo prazo. É fundamental acompanhar as mudanças nas políticas e regulamentações em nível estadual e federal, e contar com consultores especializados para ajudar nesse processo.”
Crisman, por sua vez, adotou um tom otimista em relação às perspectivas de volume e valor das transações. “Vamos continuar vendo avanços no segundo semestre deste ano, com ativos de categoria ‘A’ testando o mercado e alcançando avaliações atrativas, dado o volume de capital disponível.”
Para Liebowitz, estar preparado é essencial: “Se você pensa em vender, não há desvantagem em se preparar com antecedência. A incerteza não dura para sempre, e todos podemos nos beneficiar estando prontos para agir quando chegar a hora.”